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Uma definição de amizade (parte 2)

Para responder à pergunta de ontem, gostaria de pensar no tipo de contato que mantenho atualmente com algumas pessoas.

Antes disso, vale dizer que, a despeito da necessidade de os contatos pessoais transformarem-se em virtuais, continuo me relacionando com a maioria dos meus amigos com a mesma freqüência e intensidade que antes.

Alguns deles, ainda não conheço pessoalmente - e isso é apenas uma questão de tempo e encurtamento de distâncias. São pessoas com quem posso trocar pensamentos, sentimentos e outras mesquinharias sobre as tais quinhentas coisas (e, eventualmente, sobre as outras três também) - e vice-versa. O compartilhamento é chave aqui. Em algumas amizades, decerto, o cuidado entra como um elemento muito importante (vide Bel) - mas, para mim, nunca o mais importante, até pelo fato de ser sempre mútuo. Muito mais do que cuidar e ser cuidada (para isso existem outras modalidades de relacionamento humano, inclusive profissionais), o que me atrai numa relação de amizade é a possibilidade de trocas mútuas com um igual. Igual, na verdade, é uma palavra péssima, pois Jacob abençoe os amigos diferentes de mim. Reformulemos, então: atrai-me a possibilidade de trocas mútuas com alguém com quem posso me relacionar de igual para igual. Isso, naturalmente, independe de a pessoa ser mais inteligente, esperta ou (insira aqui o adjetivo de sua preferência) que eu - aliás (e essa é uma preferência minha), todos os meus amigos têm pelo menos uma característica que eu considero extraordinária; todos são/fazem algo muito melhor/interessantemente diferente do que eu. Se fossem iguaizinhos a mim, qual seria a graça? Melhor que sejam melhores.

Pois bem. Desse pequeno grupo de amigos com os quais compartilho muitas coisas e que ainda não conheço pessoalmente (ou, em alguns casos, até já conheço, mas a vinda para New Orleans manteve a relação basicamente no plano da virtualidade), creio não haver ninguém a quem eu solicitaria ajuda num momento de desespero.

Por outro lado, há uma minoria de amigos, a quem conheço muito bem pessoalmente, e que também faziam parte da minha vida cotidiana, que sumiram completamente depois que me mudei para cá. Nem um e-mail, nada. E isso não se deu por falta de iniciativa minha e nem, quero crer, por um profundo e súbito desgosto dessas pessoas por mim. A hipótese mais provável é que elas, não tendo intimidade alguma com formas de comunicação virtual, não se dispuseram a fazer do skype, msn e mesmo e-mail parte de sua rotina - como, aliás, algumas outras pessoas fizeram, para se comunicar um pouco mais comigo.

Em compensação, e curiosamente, essas são pessoas de cujo sentimento por mim não tenho nenhuma dúvida. Ao contrário dos meus amigos cotidianos, se algum dia uma desgraça me sobrevier (tipo, um furacão de verdade bater literalmente sobre a minha cabeça), não tenho a menor dúvida de que poderei ligar (desde que para um telefone fixo, claro) às três da manhã e contar com elas. Sei que estarão disponíveis para mim - emocionalmente, amorosamente e até financeiramente, se necessário for. E acho, de verdade, que isso está muito relacionado à concepção de amizade que esses meus amigos têm: de que amigo mesmo é o que aparece na hora da amargura, e todo o resto não importa tanto.

Felizmente, porém, desgraças não costumam ser tão freqüentes assim (e me dói escrever isso num momento em que um dos meus amigos mais queridos está vivendo uma verdadeira desgraça) - em toda a minha vida, por exemplo, só me aconteceram duas: uma morte e uma separação. O resto são coisas difíceis, coisas freqüentemente impossíveis de suportar sozinha. Para elas, existe a família e alguns poucos amigos (os quais, por sorte, costumam estar presentes também em outras ocasiões). Não todos. E é bom que seja assim.

O que me incomoda é essa suposição de que o amigo do apoio à desgraça-em-potencial é mais meu amigo que aquele outro com quem troco longos e-mails semanalmente sobre as insignificâncias da vida - um livro que me emocionou, um homem que me atraiu, uma comida que me alucinou…  (e vice-versa, sempre). Vou explicitar a ironia, pois não sei utilizá-la muito bem: caso alguém não tenha reparado, essas “insignificâncias” constituem o próprio tecido de que é feito meu dia-a-dia. E, caso tenham reparado menos ainda, eu gosto muito do meu dia-a-dia. Há, inclusive, quem chame o dia-a-dia de vida.

Como já deve ter ficado claro, não tenho nenhuma definição de amizade a propôr - apenas uma a desconstruir. Não gosto da idéia de que o amigo de verdade é aquele que segura o cabelo na hora do vômito, em vez de compartilhar a cerveja - pelo simples fato de que não gosto de vomitar, e não costumo ficar bêbada. Aliás, nem cerveja eu tomo. Prefiro, assim, a concretude de relações que se desenrolam num presente palpável - muito mais do que amizades-semente que precisam de um acontecimento ruim para eclodir e se desenvolver.

Prefiro? É, prefiro. Dane-se o politicamente correto: estou sim introduzindo um juízo de valor. As pessoas que se esforçam para estar presentes na minha vida acabam adquirindo maior importância para mim. As que não se esforçam, se perdem.

Assim, um texto que se propunha a defender a impossibilidade de comparar diferentes relações de amizade em termos qualitativos chega inadvertidamente à conclusão oposta: há um tipo de amigo de que gosto mais, sim (que é, por sinal, o tipo de amiga que gosto de ser). É o amigo que se interessa - pelas tragédias, até;  mas, principalmente, pela cotidianeidade.

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23 Comments on “Uma definição de amizade (parte 2)”

  1. #1 Dani
    on Nov 18th, 2008 at 1:51 am

    Ontem, quase deixei um comentário na parte 1. E era isto mesmo que eu iria dizer - quase isso. Porque é a mesma coisa com o “amor”. Há diferentes tipos de amor entre as pessoas; todos temos parâmetros distintos quanto ao que nos é suficiente para nos sentirmos amadas(os). Mas amizade para mim é isso - é troca, é comunicação verbal ou não verbal, é uma questão de momentos e de história. Cada relação de amizade é única. Agora, o meu adendo quanto à simplificação do que é ser amigo ou não. É curioso, mas já notei isto, que algumas pessoas têm sérias dificuldades em serem amigas nos momentos de alegria. E isto às vezes choca mais do que aquele que te deixa na mão no momento de tragédia. Curioso.
    Beijos, saudades de falar contigo!

    [Reply]

  2. #2 Jasão
    on Nov 18th, 2008 at 8:21 am

    é isso!

    [Reply]

  3. #3 Ricardo C.
    on Nov 18th, 2008 at 10:15 am

    Camila, teu raciocínio é inatacável, em parte por falar da boa qualidade das relações que vc cultiva. E esse “cultiva”, pieguento ou não, fala** justamente sobre algo que diz respeito às relações de amizade: o cuidado, a atenção dada — sempre levando em consideração as “dificuldades logísticas” (exemplo dos teus amigos sem “não logados”) e as idiossincrasias das partes envolvidas (vc sabe que há gente que participa da vida da gente de forma silenciosa, outros de maneira esporrenta, terceiros sempre festivos, outros mais pela troca intelectual etc.).
    Porém, tenho alguns poréns. Se por um lado concordo contigo de que “o amigo do apoio à desgraça-em-potencial é mais meu amigo que aquele outro com quem troco longos e-mails semanalmente sobre as insignificâncias da vida” não é um bom critério, justamente por deixar o cotidiano (o curso habitual da vida) de fora da fórmula, a conversa sobre amigo ser aquele por quem somo capazes de “atravessar uma casa em chamas” — frase que li em uma entrevista de Inês Pedrosa e mote de um post sobre amizade que escrevi tempos atrás — não pode ser considerada de todo equivocada… Você poderia dizer: “mas Ricardo, o que você diz é uma versão talvez menos trágica, mas tão dramática quanto a que eu falei!”, e eu teria que dizer que sigo não discordando de você. Creio que você reclama da “visão troppo restrita” do que seja amizade, enquanto eu reclamo do quão elástica ela tem se tornado, uma classificação tão “ao alcance de um clique” que é capaz de abarcar todos aqueles 567 contatos no Orkut que algumas pessoas acumulam, só para ficar num exemplo besta. Certo, “com quem a gente troca mais?” é um critério legal, desde que ele seja bem contextualizado — i.e., fale tanto do conteúdo quanto dos envolvidos e das circunstâncias que os envolvem. E o que me ocorre agora é uma “apreciação espaço-temporal da amizade”: pensá-la em termos de profundidade e tb da altura a que pode chegar — sem precisar ficar lá embaixo ou encima o tempo todo! —, assim como da extensão, que acredito que sirva para avaliá-la de alguma maneira. Junte tudo isso ao passado — seu percurso — e seu futuro — perspectivas, eventuais projetos — e terá uma fórmula bem ampla para falar de amizade, com uma ou outra sendo ótima justamente por “estar na média” das quatro “direções”…

    Bom, sei que consegui ser prolixo sem saber se dei conta de dizer o que penso… culpa sua, claro, que provoca esse tipo de conversa… entre amigos!

    Beijão

    [Reply]

  4. #4 Ricardo C.
    on Nov 18th, 2008 at 10:19 am

    ** onde se lê “fala”, quase escrevo “remete”, mas resisti bravamente ao jargão dos psicanalistas, hehehe!

    [Reply]

  5. #5 Henrique
    on Nov 18th, 2008 at 11:05 am

    Disclaimer: adoro seu blog (descoberto via idelberavelar), invejo a sua franqueza e a diversidade e a qualidade dos seus textos. Peco licenca para tentar contribuir com o comentarista acima e ajudar a baguncar um pouco sua argumentacao dessa vez.

    Oras, como assim amigos continuos ou amigos pontuais? A continuidade depende muito das possiblidades momentaneas de cada um e ajuda na tragedia tem menos a ver com afeto que com compaixao. Espertos que somos, eh claro que somos gratos a quem nos ajuda nos momentos dificeis e eh igualmente claro que nos prefeririamos nao precisar dessas pessoas. A mim me fica a impressao que o que te motivou esse texto foi uma vontade de transeferir seus amigos com completa inaptidao para informatica de “amigos” para “pessoas que me acompanharam por um belo bocado de coisas boas e ruins e pelas quais eu acho que deveria sentir algo maior que gratidao mas talvez nao sinta nem isso”. Nao acho que vc desconstruiu tipos de amizade, acho que vc analisou estagios, nao necessariamente consecutivos, e concluiu que de cada um vc prefira o lado Gratiano (”let me play the fool”, de diversao, companheirismo) ao lado Antonio (”my purse, my person, my extreamest means lie all unlockd to your occasions”). E ate aqui eu vinha pensando que concordo afinal nisso contigo, mas por essa ultima comparacao tenho vontade de fazer o contrario e perguntar se, tomado o copo pela outra metade, nao sai o resultado dessa mesma analise o oposto? Se o apoio a desgraca potencial se chamasse aliado das maiores conquistas, nao ia parecer o parceiro cotidiano, o onipresente, meio, digamos, tacanho, posto que depois de anos bebendo contigo ele nunca se tenha lembrado de fazer loucuras para permitir que vc se casasse com a tal da Porcia?

    De todo modo, muito bom trabalho e muito boa sorte!

    [Reply]

  6. #6 Bel
    on Nov 18th, 2008 at 1:17 pm

    Enquanto Ricardo e Henrique cuidam de analisar atentamente a sua argumentação, vou fazer um comentário bem periférico: eu sempre imaginei que a expressão “valer a pena” tivesse origem num outro contexto de significados.

    Pensava que a expressão tivesse nascido na época em que só se escrevia usando tinta e pena, e que algo muuuuuito exepcional “valia a pena” no sentido de merecer o trabalho de um registro escrito, como uma esperança de existência eterna. Pois enquanto a transmissão oral pode se perder, um texto escrito teria mais chances de atravessar gerações… Nunca tinha pensado essa “pena” como punição.

    [Reply]

  7. #7 Bel
    on Nov 18th, 2008 at 1:20 pm

    P.S. Onde se lê “exepcional”, eu quis dizer “excepcional”…

    [Reply]

  8. #8 aline
    on Nov 18th, 2008 at 10:05 pm

    Oi…

    Gostei tanto do seu post. E ele acabou sendo um primeiro passo pra um post que eu estava formulando mentalmente há algumas semanas, e que é muito importante pra mim.
    Dessas definições que a gente lê e escuta por aí, eu lembro de uma sobre amizade que me marcou, pois achei que ela era singela, num bom sentido: amigo é aquele com quem você pode ficar em silêncio sem se sentir constrangido. Gosto dessa.

    Enfim, mais do que isso, agora, não á pra comentar, não. Um beijo, Camila.

    [Reply]

  9. #9 Rafael
    on Nov 19th, 2008 at 3:18 am

    Henrique,

    E a Antônio? Ao final mais amiga é Pórcia que se arrisca ao defendê-lo ou Bassanio com quem sempre tomou suas cervejas e por quem correu o risco, enfim concreto, de acabar nas maos do judeu?

    Temos aqui dois exemplos de pessoas que se arriscam. Antônio empresta o dinheiro ao amigo, colocando uma libra de sua carne como fiel do empréstimo para com o judeu, sem que ambos não tenham atravessado nenhuma casa em chamas, o faz ainda sem esperar nada em troca além da retribuição justa (permita-me reler a palavra *juros* em um significado mais amplo). A moça de Belmonte arrisca-se em nome do dever da retribuição, ela sente o débito de Bassanio para com Antônio como dívida pessoal e traveste-se não somente em homem e legislador, mas em agente da justiça na qual acredita (sobre a qual também cabe discussão*). Bassanio paira e temos a dúvida se devemos lê-lo incapaz de ajudar ou indisposto dos grandes sacrifícios para tanto.

    Você é claro sempre poderia argumentar que Bassanio arrisca o mote de sua existência, Pórcia, em nome do amigo. Calma lá! Ele tinha outra opção? Quando enfim a idéia da farsa apresenta-se, não há como impedí-la de acontecer, ela ganha vida. Bassanio não mais teria Pórcia se a impedisse de ajudar Antônio. Ou há alguem inocente o suficiente para acreditar no contrário?

    *A propósito, não há carne que venha sem sangue.

    [Reply]

  10. #10 Ana Carolina
    on Nov 19th, 2008 at 6:59 am

    Camila, não costumava encontrar comentários tão profundos, filosóficos, históricos e psicológicos no seu blog….. Rssssss…. Mas eu concordo só em parte com seu post… Eu mudei de cidade há três anos, e fiquei muito chateada também com aqueles amigos que não se esforçavam, que se distanciaram, mas a verdade é que minhas amigas e eu, apesar de a gente mal se falar e se ver quase nunca, percebi que sempre procuramos uma à outra nos momentos “importantes” (bons ou ruins), buscando aquela palavra, opinião, ou simplesmente um sorriso e companhia. Mesmo que quase sempre a gente já saiba com antecedência o que a outra vai dizer, afinal, são 13 anos de amizade… Bjs

    [Reply]

  11. #11 Mariano
    on Nov 19th, 2008 at 3:55 pm

    A amizade é um mistério desprovido de razão e sobretudo de interesses secundários. É espontaneidade.

    [Reply]

  12. #12 camilalpav
    on Nov 20th, 2008 at 1:23 am

    Tô passando aqui rapidinho só para avisar que estou orgulhosa dos comentários - boa parte dos quais, inclusive, fui incapaz de compreender. :) Gratiano? Antônio? Acuma?? Vou me informar, prometo. Acontece que amanhã tem aula do prófi, e as proverbiais trezentas páginas semanais desta vez são quatrocentas e cinquenta, e ainda estou na metade delas. Então quem sabe amanhã no fim do dia, se eu sobreviver, volto aqui para refletir sobre os eruditos comentários com o afinco que eles merecem. Abraços a todos e feliz Dia da Consciência Negra!

    [Reply]

  13. #13 Rafael
    on Nov 20th, 2008 at 3:39 am

    Camila,

    São as personagens de *O Mercador de Veneza*, peça de Shakespeare. Você acha fácil na internet ou, caso queira, me disponho a enviar.

    Esperamos seu retorno.

    [Reply]

  14. #14 camilalpav
    on Nov 21st, 2008 at 1:55 am

    Dani, legal saber que você concorda (você também, Jasão). Claro que há diversas maneiras de alguém se fazer presente na vida de outrem - mas é de presença que se trata, sempre. Quanto ao seu adendo, minha concordância é total.

    Ricardo, gostei tanto do seu comentário (quer dizer, até onde eu consegui acompanhar). Sobre as idiossincrasias das partes envolvidas, agreed (leia resposta à Dani acima). Quanto ao seu post, que eu adoro, tenho duas observações a fazer. Não poderia concordar mais com sua idéia de que pelo menos a vontade de conhecer o outro pessoalmente deve estar presente numa relação de amizade - e, quando essa possibilidade está presente e não se concretiza, fica claro que a relação é meio capenga mesmo. Por outro lado, a história da corrida pela casa em chamas me parece ainda muito mais trágica e dramática do que tudo que mencionei aqui - e, embora poética, me desagrada pelos motivos já expostos. Além disso (e pode me acusar de falta de imaginação e/ou confiança na humanidade), é muito bonito falar que se atravessaria a casa por fulano ou sicrano quando na verdade é muitíssimo mais provável que a casa nunca entre em combustão. Fico pensando se eu atravessaria uma casa em chamas pela Bel, e a verdade é que não sei. Será que eu me portaria como uma verdadeira heroína e salvaria até os bichinhos de estimação da casa, ou correria desabaladamente num salve-se quem puder? É impossível prever o comportamento das pessoas numa situação-limite, e acho estranho utilizar algo excepcional e ideal, e não cotidiano e concreto, para definir o que é amizade. Mais fenomenologia e menos platonismo, I’d say. Ademais, não acho que só os extremamente altruístas possam ter verdadeiros amigos. Acho importante não exigir mais das pessoas do que elas podem dar (estava conversando sobre isso com o Alex há pouco). Se um amigo me deixar sozinha numa casa em chamas, ele não vai ser menos meu amigo por isso - nem todo mundo tem em si a disposição de sair por aí salvando e consolando a humanidade.

    Agora, quanto à “apreciação espaço-temporal da amizade”… Por favor, passa a régua e me explica tudo de novo que sinceramente não entendi. :)

    [Reply]

  15. #15 camilalpav
    on Nov 21st, 2008 at 1:59 am

    Henrique, obrigada pelo comentário e pelo disclaimer. Naturalmente, não tenho o que dizer sobre a parte do seu comentário em que você cita O Mercador de Veneza, pois não conheço a obra. Mas não entendi de que parte do meu texto você depreendeu que não sinto nada, nem mesmo gratidão, pelos meus amigos que sumiram. Só estou dizendo que, para mim, relações que não são cultivadas tendem a morrer. Eu gosto muito desses meus amigos e provavelmente nunca deixarei de gostar - assim como, por exemplo, até hoje gosto muito do Leo, meu melhor amigo na primeira série. Mas nunca mais tive nenhum contato com ele, e portanto perdemos a amizade. Com esses amigos atuais, a mesma coisa: eu vou continuar gostando deles, como não? Só que, se a gente continuar sem nenhum tipo de contato, a amizade vai se perder.

    Bel, sua teoria é uma graça, mas veja esta acepção do Houaiss: “valer a pena - merecer o esforço, a preocupação; ser vantajoso, útil; compensar”. Parece que minha teoria tem mais embasamento. :)

    aline, eu também gosto dessa definição. E tenho o maior orgulho em saber que este texto deu o empurrãozinho que faltava para o seu. Obrigada por comentar aqui porque ainda nem sei o que comentar lá. Você me emocionou muito, e pelo visto não só a mim. Um beijo, Aline.

    Rafael, espero um dia estar à altura do seu comentário para poder respondê-lo. :) Obrigada pelo esclarecimento e saiba que você e Henrique me estimularam a (tentar, pelo menos) ler Shakespeare nas férias, o que não é pouca coisa.

    Ana Carolina: né?? :) Mas sabe que eu acho que você discorda menos de mim do que você supõe. As pessoas têm diferentes maneiras de se fazer sentir. Essas suas amigas souberam se fazer presentes na sua vida de alguma maneira ao longo desses 13 anos. Não sei se esses meus amigos que sumiram vão se fazer presentes de alguma forma (quando digo que não sei, é porque não sei mesmo, não é um eufemismo para “não e pronto”). Pode ser que sim, e pode ser que fiquem como o Leo da primeira série. Ainda não tenho como saber.

    Mariano, lindo isso - a amizade é uma espécie de ONG das relações afetivas, não tem fins lucrativos! :D

    [Reply]

  16. #16 Francisco
    on Nov 21st, 2008 at 5:31 am

    Fico com a definição de Guimarães Rosa: amigo é aquele que você gosta de conversar, do igual pro igual, desarmado…amigo é aquele que você sabe que é sem saber o porque é que é.
    Bjs
    Francisco

    [Reply]

  17. #17 Bel
    on Nov 21st, 2008 at 6:41 am

    Cami,

    nem precisei ir ao Houaiss para me certificar de que sua concepção da etimologia da expressão era mais razoável do que a minha! Estava tão óbvio… ;-)

    beijo!

    [Reply]

  18. #18 alex castro
    on Nov 21st, 2008 at 9:50 pm

    amanha, sabado, quero ir no sebo da Oak pra pegar um livro. quer aproveitar e almocar?

    [Reply]

  19. #19 camilalpav
    on Nov 21st, 2008 at 10:35 pm

    Francisco, jura que Guimarães Rosa disse que amigo é alguém com quem se pode conversar de igual pra igual?? Então eu plagiei sem saber? Adorei isso. Me passa a referência, se puder.

    Bel, adivinha!! Amanhã tento te ligar de novo. :)

    Alex, quer arriscar o vietnamita?

    [Reply]

  20. #20 Bel
    on Nov 22nd, 2008 at 6:31 am

    Te mandei um e-mail… depois dá uma olhada lá! (se já não viu…)

    [Reply]

  21. #21 Olivio
    on Nov 25th, 2008 at 9:16 am

    Camila, eu também me lembrei do Léo… O garoto da voz grave e gutural, assim como a irmãzinha dele, lembra!?!
    Um beijo!

    [Reply]

  22. #22 Ju Dacoregio
    on Nov 27th, 2008 at 9:47 pm

    Sim, amigo de verdade tem que estar presente nas horas ruins, mas sei lá, algumas pessoas se fazem super solícitas quando estamos passando por um momento difícil só para ver mais de perto a gente se fuder!

    [Reply]

  23. #23 camilalpav
    on Nov 27th, 2008 at 9:55 pm

    Hahahahahaha!! Minha sorte é ser ingênua e nunca ter reparado nesse tipo de motivação para a solicitude das pessoas… ;)

    [Reply]

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