Domingo vou para o Rio passar uma semana com o Alex. Já não era sem tempo - há um número limitado de fins-de-semana que posso passar sem estranhar a ausência de macarrões e Seinfelds. Mas, contrariando todas as expectativas, a vida com o Alex não é apenas pão e circo. Há certas frases características dele - ou antes, da nossa relação - que ouço internamente em vários momentos, e não vejo a hora de ouvi-las ao vivo de novo. É possível que ele nem tenha consciência delas, de tão entranhadas que já estão em nossas vidas. Então este post é para ele, só para ele ver o quanto eu reparo nas coisas, e sinto falta. Às frases, pois:
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“Graças a deus”
No contexto de que estamos tratando, tal frase indica, básica e tacitamente, “para tudo e bora fazer outra coisa”, como se pode verificar numa conversa recente pelo MSN:
Alex: camilaaaaaaaaaaaaa
Camila: Aleeeeeeeeeeeeeex
A: td beeeeeeeeeeem?
C: Tudooooooooooo, saudadeeeeeeeeee!
A: eu tbeeeeeeeeeeeeeeeeem
C: Vamos parar de falar assiiiiiiiiiiiiiim?
A: gracas a deus*
Mas há também scripts pré-determinados em que a ocorrência desta frase é garantida:
Camila: Ok, já estamos trabalhando há duas horas, vamos parar um pouco e ver um Seinfeld?
Alex: Graças a deus.
Tenho certeza absoluta de que ele irá se orgulhar do fato que tornarei público: sempre que dei essa sugestão, em todos os casos, sem nenhuma exceção, o Alex agradeceu a deus imediatamente. Nunca ele disse, “daqui a quinze minutinhos, deixa só eu terminar esse parágrafo, mais tarde que agora eu tô empolgado”. Todas as vezes ele parou tudo na mesma hora e abriu a pasta dos Seinfelds num bonito ímpeto procrastinatório.
Em compensação, neste outro script quem se apropriou totalmente dos agradecimentos metafísicos fui eu:
Alex: Vamos comer alguma coisa?
Camila: Graças a Deus.
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A próxima frase ocorre em dois contextos distintos, e cada vez mais no segundo. O primeiro é quando conto alguma história envolvendo algum amigo ou familiar que está passando por dificuldades; o segundo, quando ele conta alguma dificuldade de sua própria lavra. A conclusão do assunto é sempre a mesma:
“O seu problema, Camila, é que você só se relaciona com maluco.”
Tanto é assim que, ultimamente, ele nem se dá mais ao trabalho de repetir a frase toda. Limita-se a apontar o dedo para mim e dizer:
“O seu problema…”
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O Alex é a pessoa mais dramática que eu conheço. Ele gosta de projetar seus dramas em mim, dizendo o mesmo a meu respeito; isso é bom para ele, faz com que ele se sinta mais equilibrado. Então ele vem, dia sim dia não, me contar algum nova desventura amorosa e concluir pesaroso “eu não sei o que vai ser da minha vida”. São dois os comentários que costumo tecer nessas ocasiões:
“Alex, calma, hoje você está aí todo chateado e preocupado, mas não tem problema - pensa que na semana que vem você já vai ter esquecido tudo!”
“Você está dizendo que não sabe mais o que vai ser da sua vida agora, mas a verdade é que você nunca soube!”
Como ele sabe que tanto uma quanto a outra são afirmações irretocavelmente precisas, novamente ele me aponta o dedo e diz:
“Você é uma pessoa cínica, egoísta e insensível, que de tanto assistir Seinfeld perdeu toda a empatia e compaixão pelos seres humanos” (isso quando não acrescenta “e eu que pensei que você era psicóloga” etc.).
De uns tempos para cá, diante das afirmações acima e suas variantes, Alex diz apenas:
“Você é uma pessoa…”
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Então é isso: estou indo para o Rio mas, por mim, eu poderia estar indo para Bom Jesus da Cachoeirinha que estaria de bom tamanho. Porque a verdade é que não estou nem ligando para o abençoar do Cristo ou o sambar da mulata. Estou indo para o Rio apenas para ouvir, dezenas de vezes por dia, que o meu problema é que eu sou uma pessoa. Graças a deus.
* Quem conversa com o Alex pelo MSN (ou seja, metade dos leitores deste post) sabe que ele desconhece acentos e cedilhas por lá. A outra metade dos leitores deve saber que, para ele, deus é só na minúscula.








on Jun 5th, 2009 at 8:24 am
Tõ vendo, juro que tô vendo e ouvindo vocês dois, AGORA, e mostrando todos os meus dentes!
(Mas na 2ª que vem, nada de imaginação: é ao vivo mesmo, êba!)
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on Jun 5th, 2009 at 8:41 am
Camila, mande ao Alex um abraço do tamanho do Redentor, e diga que foi do filho do ídolo dele…
Besos!!!
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on Jun 5th, 2009 at 1:47 pm
“O seu problema, Camila, é que você só se relaciona com maluco.”
Vixe, será que o Alex tá se incluindo no bloco?
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alex castro Reply:
June 5th, 2009 at 2:28 pm
claro, né, pedro bó!
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camilalpav Reply:
June 10th, 2009 at 6:56 am
O Alex sempre se inclui em tudo.
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on Jun 5th, 2009 at 4:31 pm
rssrrsr.. olha o amor, hein?!
*”“e eu que pensei que você era psicóloga” taí uma expressão que ouço bastante!!
AdOrei o texto!!! E quero saber mais de vcs… ou conversar por msn.. me manda?!
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camilalpav Reply:
June 10th, 2009 at 6:58 am
Rapaz, meus textos tão todos por aí, meu msn também. Quem procura acha. :)
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on Jun 5th, 2009 at 8:20 pm
hahahaha, que legal, camila. eu adoro o alex, mas nem sei se ele sabe disso. acho ele muito fofo e querido, mesmo com todas essas manias e esse jeito de maluco. aliás, eu só gosto do alex porque ele é exatamente assim [aliás, desculpe a intromissão, mas ele me disse que quer te trazer à niterói, minha terra-salve-salve. vou confirmar com ele]. bj
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camilalpav Reply:
June 10th, 2009 at 7:01 am
E o drama?? Você não falou das histórias dramáticas, né. Mas, se não fossem elas, não seria ele. :)
Acho que Niterói micou mesmo, infelizmente - hoje vamos trabalhar bastante e depois tem a LASA… Você vem?
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cris Reply:
June 12th, 2009 at 11:55 am
hj eu tb preciso trabalhar, mas se me convidarem pra almoçar amanhã ou domingo eu juro que vou [e nem precisa insistir muito, eu sou facinha, viu?] bjs :)
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on Jun 6th, 2009 at 2:22 am
Também tenho aberto os boxes de Seinfeld em belos ímpetos procrastinatórios e quem me fez viciar nisso também foi um Alex (o meu @alexotan)…
Mas, mudando de saco pra mala, não tá a fim de dar uma passeada aqui no sul?
beijão
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on Jun 6th, 2009 at 12:15 pm
Programa:
Um dia de praias nos extremos: Itacoatiara (em Niterói) de manhã e Grumari de tarde.
Um dia perambulando pelo Centro Histórico, enquanto Alex termina de pesquisar, no Real Gabinete e na Biblioteca Nacional, a comunicação sobre teatro do sec XIX q ele vai fazer na LASA.
Um dia perambulando pela Zona Sul, pra ver os cariocas que se acham.
À noite, teatro carioca. Pode ir de canga e sandália de dedo, e tem uma chapelaria pra deixar as barracas de praia.
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Ulisses Adirt Reply:
June 6th, 2009 at 4:11 pm
Verdade? Tem mesmo chapelaria e as pessoas deixam barracas de praia no teatro?!? Que máximo!
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cris Reply:
June 12th, 2009 at 11:56 am
alex, vou comprar um chapéu lindo que vi na chapelaria alberto só pra ir nesse teatro, juro que vou. [adoro, amo chapéu]
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on Jun 6th, 2009 at 4:12 pm
Camila, um “oi” para vc não dizer q eu comento aqui só para falar com o Alex. ;-)
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camilalpav Reply:
June 10th, 2009 at 7:02 am
Outro bordão do Alex: “pelo menos isso”. ;)
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on Jun 7th, 2009 at 10:13 am
é bonito ver quando os malucos desse mundo se encontram e como se comunicam bem… ;-)
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camilalpav Reply:
June 10th, 2009 at 7:03 am
Eu sempre digo que vocês dois teriam muito o que conversar… :D
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Bel Reply:
June 12th, 2009 at 7:11 am
é, né…?
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