De início pensei em não postar isso aqui no blog, pois a atividade de chutar cachorro morto é mais bem realizada na companhia de amigos do que de estranhos. Aí lembrei que praticamente só os meus amigos e familiares leem este blog, então mudei de ideia.
Estava eu lendo a revista Sax & Metais, com o saxofonista do Kid Abelha na capa (é, pois é). Chego à seção de CDs recomendados. Não surpreendentemente, encontro ali o Kind of Blue, que está para as revistas especializadas em música como as reportagens de dieta estão para a revista Veja: em caso de falta de assunto, é a primeira coisa a virar notícia. Eis o comentário da revista a respeito do disco - estou parafraseando, mas pode confiar que o conteúdo é esse mesmo:
“O disco caracteriza-se por usar formas harmônicas mais livres, distanciando-se do tonalismo. Os improvisos são mais baseados nos acordes das músicas do que nas melodias.”
É. Pois é.








on Jun 29th, 2009 at 10:41 am
E a pergunta que não quer calar: o energúmeno tem diploma?
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camilalpav Reply:
June 30th, 2009 at 12:12 am
Eu apostaria que sim, DJ. Certos absurdos a gente não nasce sabendo; tem que estudar bastante para aprender direitinho.
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on Jun 29th, 2009 at 12:37 pm
Camila,
que bom que trouxeste ao debate a atual precariedade de amplos segmentos da crítica musical. É espantoso como, mesmo depois de tantas mudanças tecnológicas e sócio-econômicas, ainda se cometam as mesmas atrocidades ao escrever sobre música do que na cena vitoriana. Falo um pouco disto em http://opensadorselvagem.org/musica/critica/para-ler-a-critica-musical-de-bernard-shaw-primeira-parte e em http://opensadorselvagem.org/musica/critica/para-ler-a-critica-musical-de-bernard-shaw-segunda-parte-4.
Discordo, todavia, em dois pontos: que se chuta cachorro morto melhor diante de estranhos do que em presença de amigos e que teu blog seja frequentado só por amigos e familiares.
Também me irrito com o surto repentino de interesse em Kind of Blue. Mesmo dispondo da tradução do livro de Ashley Kahn, parece que muitos profissionais de redação ainda se atrapalham para realizar a pauta do aniversário do álbum.
Augusto
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camilalpav Reply:
June 30th, 2009 at 12:45 am
Sensacional a questão mobilizadora do ensaio: quais as condições para uma crítica que forneça mais perguntas que respostas, e que estimule novas possibilidades perceptivas para o leitor/ouvinte. Obrigada por linká-lo e parabéns pelo trabalho, Augusto. Confesso que ainda não me aventurei pela segunda parte, porque o combo “Shaw/Bakhtin/música erudita da Inglaterra vitoriana” dá um certo medo - se pelo menos eu soubesse alguma coisa sobre algum dos 3 elementos estudados, ainda rolava, mas sendo minha ignorância total e generalizada, ficou difícil. :-)
Sobre o KoB, o que me incomoda é mesmo esse status de “dieta da Veja” que ele adquiriu. Ou seja, o que me incomoda é a _imprensa_ e a _publicidade_ - nunca, jamais a música. Esse é daqueles discos que ouço uma vez por ano e passo o dia inteiro meio boba, até renovar a experiência no ano seguinte.
Grande abraço e, mais uma vez, obrigada pelo link.
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on Jun 29th, 2009 at 12:49 pm
Errata: no segundo parágrafo acima, inverti um dos sentidos: o que quero dizer é que:
se chuta cachorro morto melhor em público; e que
teu blog é lido por outros além de teus amigos e familiares.
Resultando, deste modo, que, a partir de duas falsas premissas, fizeste a melhor escolha - até por não acreditar que a revista Sax & Metais (o texto era assinnado ?) venha, como tem acontecido, a te processar pela denúncia da malfeitoria.
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on Jul 1st, 2009 at 10:14 am
Bem, como o meu melhor improviso é um macarrão alho e óleo, fico pensando se me baseio mais no sabor do macarrão cozido sem sal, ou no do tempero de alho frito no azeite… Mas o improviso fica bom mesmo é quando a gente junta tudo e come.
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