Mais uma vez, é chegado o momento de abrir o jornal mais relevante do mundo e entrar na minha crise preferida: decidir o que fazer à noite em Nova York! \o/
Reparem que estarei no meu lugar preferido do mundo, com o meu melhor amigo, vendo minha jazz orchestra preferida, assim, Gil Evans me perdoe, de todos os tempos. Quem tem saliva de babar que babe: Gabriel e eu veremos a Maria Schneider Orchestra estrear uma peça nova no Jazz Standard. Os contidos que me perdoem, mas não é nem que a euforia seja fundamental: a esta altura, ela é inevitável.
Além da Maria, o outro evento para o qual já compramos ingresso é um concerto da Filarmônica de Nova York no sábado à tarde, tocando Beethoven e Schoenberg. De resto, a verdade é que só a Maria já teria valido a viagem - mas, já que estamos lá, obviamente vamos aproveitar mais um pouquinho. Seguem os planos provisórios atuais:
Quarta - O Gabriel ainda não vai ter chegado e vou aproveitar pra ver a Maria Schneider logo no meu primeiro dia, porque se você achava mesmo que eu ia assistir a apenas um set dessa gig, é porque você ainda tem a ilusão de que sou uma pessoa normal. Depois, ou eu fico pro segundo set, pra eliminar de vez a dúvida dos frequentadores deste blog acerca da minha sanidade, ou vou para o Smalls, onde se apresentará um noneto quase totalmente desconhecido para mim. A graça está no quase: o baterista é o Bill Stewart, um dos meus top 5 pessoais (descubram quem ele é no blogroll aí do lado - estou com preguiça de ficar linkando nomes aqui que já estão linkados acolá). Tem também um saxofonista que não é um completo desconhecido, o John Ellis, que gravou num disco bem legalzinho do Charlie Hunter - posso até dizer que o sax é a melhor coisa do disco. Em suma: o mais provável de tudo é que eu fique nos dois sets da Maria e depois pegue o late set desse noneto aí.
Quinta - Gabriel chega! Vamos ver The New York Voices no Birdland às oito e meia - eu nem morro de amores por eles, mas Gabriel adora e mesmo eu não amando acho que vai ser incrível. Mais incrível ainda é pensar que vou fazer essas coisas, que estou tão acostumada a fazer sozinha, com um cara (quase, vai) tão empolgado quanto eu. Depois, o plano é fazer o circuito Village - 55, Smalls e Fat Cat - pra ele jconhecer. Eu cheguei a mencionar que essa é a primeira vez dele em Nova York? Vamos ver como eu me saio: se tudo der errado na academia, quero crer que sempre terei uma carreira como guia turística-jazzística em Nova York.
Sexta - Maria Schneider de novo, desta vez com o Gabriel, no Jazz Standard às sete e meia (ouiés, beibés!). Depois, Hélio Alves - um pianista brasileiro radicado nos EUA - com Romero Lubambo às dez da noite num lugar a que nunca fui, chamado Kitano - vai ver é um hotel. Eu queria mesmo era ver esse cara no dia seguinte, quando ele vai tocar com o David Binney, meu altoísta preferido. Esse cara, em verdade vos digo, periga emplacar dois discos na minha listinha do final do ano: ele é um compositor excelente e este ano parece ter investido mais no lirismo do que na complexidade harmônica (ou quem sabe eu é que me acostumei com a complexidade e não a estranho mais) - o resultado é que ele nunca fez nada tão lindo quanto In The Paint e Third Occasion. Ele eu vou até deixar a preguiça de lado e linkar aqui, porque o site é bem completo e merece a visita: David Binney, fariseus. Cliquem. Eu só não acho tão ruim deixar de vê-lo porque a graça está em ouvir o trabalho dele, não me interessa tanto saber o que ele vai fazer com a música alheia. Quer dizer, interessar sempre interessa, mas é mais importante a gente ir no dia em que estará o Romero pro Gabriel fazer um social. :-)
Sábado - às duas da tarde, a filarmônica de NY; à noite, Marcus Gilmore com Will Vinson e Ben Street no Jazz Gallery. Isso sim eu faço bastante questão de ver; na verdade, é a única coisa que realmente quero ver além da Maria. Porque esse Will Vinson é outro altoísta muito bom, que lançou um disco impressionante no ano passado (acho que é apenas o segundo dele). E eu gosto muito da formação saxofone-baixo-bateria - é sempre uma experiência reveladora ver o que é que nego faz sem o conforto dos acordes de uma guitarra ou de um piano.
Saindo do Jazz Gallery, sei lá - ou a gente fica ali no Village ou vai ver um dos dois tiozinhos que estarão na cidade este dia. Essa possibilidade é bastante remota porque nem eu nem Gabriel somos tão apaixonados por eles assim e, como eles já tiveram tempo suficiente para virar mainstream - e, ademais, perigam morrer a qualquer instante -, os ingressos estão bem caros (mesmo motivo pelo qual nem sequer cogitamos ver o Dave Brubeck: 60 dólares, simpatia? Faz-nos rir). Os dois tiozinhos em questão (aliás, verdade seja dita: tiazinha sou eu. Eles são avozinhos) são Jimmy Scott, aquele das cordas vocais danificadas que tem o timbre de uma criança e era o cantor preferido da Bille Holiday (sorry Tato, eu sei que você não perderia isso por nada) e Ramsey Lewis, um pianista meio popzinho cheio de firulas que é uma graça. Outro motivo pra gente desencanar deles logo de cara é que o Gabriel quer dar uma canja em algum lugar, e com eles é que não vai ser. Ou seja: além de tudo o que a gente está querendo ver, ainda temos que bolar a estreia nova-iorquina do cara. :-)
Durante o dia, além de andar pela cidade toda o máxmio que a gente conseguir, tem uma exposição do Kandinsky no Guggenheim que queremos ver. Também espero que dê tempo de passar no MoMA para ver uns Rothkos, que estou com saudade deles.
***
Mais uma vez, portanto, estarei sujeita ao comentário de praxe na volta da viagem: mas e a Broadway, hein? Você não foi?
E eu digo: não. E me dizem: mas como não? E eu digo: não deu tempo. E me dizem: mas como não?
Eu desisto.
Ganha um beijo quem oferecer boas sugestões de como encaminhar essa tradicional conversa de volta de viagem da maneira mais satisfatória e menos frustrante possível para ambas as partes.








on Nov 23rd, 2009 at 8:26 pm
Sensacional… de dar água na boca e frio na barriga.
Triste apenas pelo fato de não estarmos todos aí, juntos nesse passeio de gosto requintado.
Aproveitem, fotografem e postem suas impressões.
beijos
[Reply]
on Nov 23rd, 2009 at 9:32 pm
responde q a broadway eh uma bosta, por isso vc nao foi, e q soh novo rico q nao tem refinamento ainda gosta da broadway. mata o papo na hora.
[Reply]
on Nov 24th, 2009 at 3:48 am
Gostei desse resposta do Alex. Diz que você não tem paciência pra broadway, cirque du soleil, essas coisas…
[Reply]
on Nov 24th, 2009 at 2:41 pm
Aê Camila, arrepia mesmo! E ainda leva o Gabriel pra turnê! Espero que voces se deleitem ao som da Maria e da Filarmonica, e de todos os outros que der pra ouvirem/verem… Nada substitui esses shows na vida da gente, posso afirmar com toda certeza: cada um quer a gente assiste é uma experiencia única, ainda que repetido no dia seguinte. Aproveitem bastante! Fico aqui babando. E Alex, e Bruno, não sejam preconceituosos com quem gosta de assistir Cats, Fantasma da ÓPera e outros petardos, caramba! Deixa os caras trabalhar!
Beijos, Miluqui.
[Reply]
on Nov 24th, 2009 at 3:00 pm
Titio: que sirva de estímulo pra essa reunião por aqui acontecer no ano que vem.
Alex: você vai para o inferno e é por isso que eu te amo.
Bruno: na mosca! O Classe Média já fez um post sobre o Cirque - poderia ter sido sobre a Broadway que dava na mesma.
[Reply]
on Nov 25th, 2009 at 11:19 am
Diz que ficou o dia inteiro no shoping :-)
[Reply]
on Nov 25th, 2009 at 1:11 pm
Me faça um favor pessoal: vá ver o anão. O cabra tá pra morrer. Vai ser arrependimento pro resto da vida.
[Reply]
camilalpav Reply:
December 2nd, 2009 at 12:07 am
Putz, de fato não rolou… Fomos ver uns up & coming músicos do jais mesmo. É que ele não é assim a grande paixão da minha vida, seu DJ… Mas garanto que se você estivesse passando por Manhattan no sábado, eu lhe teria feito companhia no Programa Anão.
[Reply]
on Nov 27th, 2009 at 9:28 am
Cê tá pegando o Gabriel?
[Reply]
camilalpav Reply:
December 2nd, 2009 at 12:11 am
Agora não que ele já voltou pro Texas, mas enquanto a gente estava lá eu de fato fiquei pegando na mão dele todos os dias e dizendo coragem, baiano, vamos andar mais um pouquinho… E ele querendo parar a cada três passos pra descansar e tirar foto. Pelo menos agora eu sei como as minhas amigas atletas se sentiam com a minha companhia deslumbrada e sedentária. Porque ele foi mesmo o deslumbrado-sedentário típico. :-)
[Reply]