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Nova York em parágrafos e listas (I)

Deslumbramentos

- Os de sempre. Manhattan vista do Brooklyn. Bateristas e baixistas. Lagos do Central Park. Salas de leitura da NYPL. Todas aquelas coisas que já fiz e continuarei fazendo sempre que estiver lá.

Ineditismos

- Cartaz de desilusão com Obama no Harlem
- Mendigo revirando lixo no Upper East Side
- Trio de jazz no metrô em que uma mala fazia as vezes de bumbo
- Baixista carregando baixo acústico, baixo elétrico e amplificador no metrô
- Uma mãe chinesa claramente anti-Amy Chua, cujo filho corria loucamente pelo vagão do metrô, levando uma chamada de um passageiro: “controle seu filho!”
- Senhor sem sapatos e com inúmeras pulseirinhas de hospital nos punhos, que ele ia arrancando uma a uma
- Dúzias de barraquinhas de incensos e óleos aromáticos
- Cinco pêras por dois dólares em outras barraquinhas
- Ser recepcionada no AirTrain por uma passageira cantando lindamente His Eye Is On The Sparrow

Fofuras

- Um dos passeios mais legais foi o que fizemos ao National Jazz Museum no Harlem. O voluntário que estava lá para nos receber, Burt, é o tipo de pessoa que você gostaria de ter como tio-avô. Ele vestia uma camisa pólo pink e uma calça de moletom cinza pior que as de George Costanza. Não conheço pessoa mais simpática e prestativa do que Burt foi conosco aquele dia. Ele nos deu todos – eu disse todos – os folhetos e jornais e revistas e programações de jazz que existem, metade dos quais eu desconhecia. Ele vinha mostrar alguma coisa ou contar alguma história – sempre de um músico das antigas que fora conhecido seu – de quinze em quinze minutos, e em seguida dizia take your time, take your time!, deixando-nos sempre com uma nova pilha de livros ou revistas nas mãos. Dali a cinco minutos, voltava com algum outro livro ou história. Muito, muito amor.

O museu na verdade é uma única sala num predinho do Harlem. Ele está sediando uma pequena mostra com algumas gravações antigas – The Savory Collection – recentemente descobertas, de gente como Django Reinhardt, Coleman Hawkins, Lester Young. Minha preferida foi uma da Billie Holiday, ao vivo, cantando Strange Fruit, num apresentação transmitida para o rádio. Antes da canção começar, o locutor a entrevista brevemente e em seguida anuncia a música como o mais novo swinging hit de Billie Holiday, esta canção eletrizante e empolgante ao som da qual o povo não pára de dançar e estalar os dedos!! Bom, obviamente não lembro as palavras exatas do coitado; de qualquer forma, é sempre bom ser relembrada de que jornalistas despreparados não são uma exclusividade da nossa época.

De resto, o museu tem uma maravilhosa bibliotequinha sobre música onde passamos umas duas horas nos divertindo. Burt me ganhou logo de cara pondo em minhas mãos um livro de entrevistas com mulheres musicistas, e li uma entrevista ótima (como as dela sempre são) da Maria Schneider. Depois fui vendo e folheando os livros da estante um a um. É a minha ideia de programa perfeito.

- No Museu de História Natural, víamos um filminho fofo sobre elefantinhos e orangotanguinhos mais fofos ainda – tipo um Dumbo ou Bambi da vida real, mostrando a história de bichinhos que perdem a mãe etc. Num dado momento, um orangotanguinho passa por um grande apuro e quase cai de uma árvore bem alta. Uma criança começa a chorar. Vocês não têm noção da fofura. É reconfortante pensar que houve época em que nós também chorávamos pelos orangotanguinhos abandonados do mundo.

Chatura

- Choques. Ter que testar a outra pessoa com a ponta do dedo ou do nariz (taí um post que nunca vou escrever, mas deveria: “Das Vantagens De Ter Um Narigão”) para não rolar aquele bzzzz.

Muambas

- Uma dúzia de livros. Algumas boas dúzias de DVDs. Meia dúzia de CDs. Três latas de chocolate em pó. Seis presilhas de cabelo. Três calças. Nada que se compare, porém, às nada convencionais encomendas do Alex.

3 Comentários on “Nova York em parágrafos e listas (I)”

  1. #1 Voltando – Recordar, Repetir e Elaborar
    on Mar 9th, 2012 at 10:58 pm

    [...] cometo alguma imbecilidade que tem alguma chance de ser repercutida. Que nem com este post. Assim. Lembra que eu contei do National Jazz Museum no Harlem, que tinha uma gravação inédita da Billie Holiday? Tinha [...]

  2. #2 bete_davis
    on Mar 14th, 2012 at 10:47 pm

    ai que delícai ler esse seu post e o seu blog. no meu trabalho todo mundo agora só viaja para o exterior, mas é extremamente cansativo, aliás chato mesmo, aquele povo só falando em compras.. é só isso- comprei- comprei-comprei… ou comparando EUA x Brasil, e claro, sempre somos péssimos. nada como ver alguém olhar o metrô, o museu, os transeuntes… etc. bjs

  3. #3 camilalpav
    on Apr 14th, 2012 at 10:39 pm

    Ai, que bom que você reparou. :-P Realmente, consumismo e masoquismo são dois dos esportes preferidos da classe média, né? Fugir disso é um esforço constante e bem consciente.

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