Abrem as cortinas. Uma mulher decide ser caminhoneira / estudar mecânica de automóveis / pisar na lua / fazer qualquer atividade tradicionalmente associada ao universo masculino, que o nosso mundo tem dessas coisas. E é aquele escândalo. Aquele bafafá. Assim não dá. Assim não pode. É contra a tradição. Se uma mulher sair da cozinha e for pro caminhão – dirigindo ou consertando-o -, se sair de cima do berço do bebê e for pra lua – sonhando ou desbravando-a – então tudo estará perdido. É a inversão de todos os valores. O fim da civilização. O que vovó irá pensar. [E grassam os clichês.]
A mulher esperneia. Grita. Reclama. É chamada de histérica. Mal-amada. Estupra mas não mata. [Opa, esse clichê é de outra história.] Nada adianta. Tudo parece estar perdido e ela parece estar mesmo condenada a uma vida dedicada ao lar, quando de repente…
… não mais que de repente…
Ela vê, ao longe…
… um homem!
[Ooooooh!]
Que faz um SUPER discurso feminista sobre a autodeterminação das mulheres e salva nossa suposta heroína desse bando de retrógrados machistas conservadores, conduzindo-a a seu lugar de direito que agora já não lembramos mais se é o caminhão, a lua, a cozinha ou o berço – porque, a essa altura, quem se importa?
Cai o pano. Mary W morre um pouquinho.


on Mar 28th, 2012 at 7:13 pm
eu nao fui salva por um principe feminista. mas tb nunca quis ser caminhoneira. entao nao sei o q pensar :P
on Mar 28th, 2012 at 7:36 pm
Vai ver esse meu post é “trauma de infância”, como diriam os pissicoanalistas. É que quando eu era criança adorava brincar com meu caminhãozinho… :-P
on Mar 29th, 2012 at 10:50 am
Na verdade voce gostava mesmo era de arremesar bola ao cesto naqueles brinquedos do Shopping Morumbi: era um “jump” atrás do outro e uma mira à la Hortencia!
on Apr 8th, 2012 at 11:07 pm
Muito Bom!!
(quero uma capacidade de síntese como esta)
:)