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Grandes Momentos da Televisão Brasileira

Programa da Globo de 2002 ou 2003, que eu adoraria encontrar no youtube. Era um quadro que misturava Criança Esperança com Show de Calouros, pegando pretinhos pobrinhos e faveladinhos e mostrando como, desde que com a ajuda de gente bacana como o apresentador, eles conseguiam até - imaginem vocês! - cantar ópera igual a gente de verdade. Um assombro e um deleite para a família brasileira, ver aqueles meninos usando um terno de cem real pela primeira vez na vida para gritar ensandecidamente - com a convicção geral de que estavam produzindo um vibrato - alguma ária italiana.

O prêmio para o campeão do concurso - não esquecer a dimensão American Idol do quadro - era um CD player não exatamente audiófilo, e um CD… Dos 3 Tenores, é claro (alguém tinha alguma dúvida?).

Vai daí que, não contente com a dádiva do CD dos 3 Tenores, o apresentador concede um prêmio extra ao primeiro colocado. Um CD de… De… Deixemos que o próprio apresentador o defina:

- Esse CD aqui não tem palavra não, é só o barulho.

Há de ser bem mais interessante do que a minha a vida de quem encaixa CDs nas categorias “palavra” ou “barulho”.

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Histórias de Empatia (I)

Diálogo entre a gerente de um salão de beleza e uma cliente em busca de atendimento:

- Boa tarde, eu gostaria de fazer pé, mão, sobrancelha, cabeço e buço.

- Pois não - para quando, senhora?

- Para dia 24 de dezembro, às vinte e uma e trinta.

- Perdão, a senhora quer dizer às nove e meia da manhã?

- Não, vinte e uma e trinta da noite.

- No dia 24, o salão vai fechar às seis da tarde, senhora.

- Vai fechar? Mas como?

- É isso mesmo, vamos atender até no máximo seis e meia da tarde.

- Não pode ser! Deixa eu falar com o seu superior!

- Eu sou a gerente do salão. A senhora pode falar comigo.

- Não tem mesmo como me arrumar um horário às vinte e uma e trinta?

- Não, senhora.

- Mas por que vocês vão fechar tão cedo no dia 24, hein?

- Porque as funcionárias do salão também têm família, senhora.

- …

A série “Histórias de Empatia” é composta de pequenos relatos nos quais a Empatia, justamente por sua ausência, é o personagem principal.

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Assim se escreve a História

Sala de espera do consultório médico. Uma paciente se depara com uma  esticada celebridade na revista de fofoca e decide que é o momento de dar uma aula de História da Música Popular Brasileira para a filha adolescente que, ao seu lado, masca chiclete e revira os olhos:

- Filha, você lembra daquela música, “Menino do Rio”?

Do alto de seu entusiasmo, a menina responde com um grunhido que pode significar “sim”, “não” ou “o que eu queria mesmo era estar dando pro meu namorado agora”.

- Então, a música foi feita em homenagem a essa moça aqui.

Nas páginas da revista, Helô Pinheiro.

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Nova York - Thanksgiving 2009

Graças a Deus (salve, Alex!), as fotos de viagens a NY estão se tornando uma tradição deste blog. Afinal, uma das melhores coisas de morar nos EUA - junto com NetFlix, InterLibrary Loan e Whole Foods Market - é estar a duas horas e meia e trezentos dólares de distância do meu lugar preferido no mundo. Aliás, cuidado: as imagens a seguir são apenas para os destemidos que não têm nojinho do deslumbramento médio-classista com a Capital do Mundo, a Cidade Que Nunca Dorme, o Maior (e Mais Lamentável) Sucesso de Frank Sinatra etc.



Quinta-feira de Thanksgiving no Birdland - vocês acham que estávamos felizes?

Nossa ideia era assistir apenas ao primeiro set dos New York Voices; só não contávamos com a astúcia deles de insistir para que o público ficasse para o segundo. Como a gente não resiste a uma astúcia, ali ficamos e não só não nos arrependemos como saímos enlevados e totalmente idiotas - estado de espírito do qual a foto acima é prova suficiente.

É difícil dizer qual dos dois sets foi mais humilhante. O nível de perfeição da performance é literalmente inacreditável para quem não a confere ao vivo. Os arranjos vocais são todos muito bem trabalhados e os cantores revezam-se nas quatro vozes, deixando o ouvinte em permanente estado de alerta. O repertório é todo lindo, com destaque para as Brazilian-influenced songs. Nestas, infelizmente, o baixista atrapalhou bastante - o que sempre nos ajuda a lembrar quão ridículos sóem ser os brasileiros que se acham os reis do bebop. Mas interrompo minha maldosa digressão para contar o meu próprio momento ridículo da noite. Lá pelas tantas, o grupo anuncia a participação de um convidado especial: Papito de Oliveira! Eu, já começando a elucubrar - seria Papito de Oliveira o Supla do Morro, primo distante de Julinho da Adelaide? -, pergunto para Gabriel:

- Você conhece esse cara?

- Ué, claro que sim - você não??

- Papito de Oliveira? Nunca ouvi falar.

- (Engasgando-se com o peru) PAQUITO D’RIVERA, Camila.

Reparem em nossa beleza sob a luz vermelha  do Birdland que disfarça todos os defeitos e nos deixa com um ar de glamour e mistério. Amigo leitor, amiga leitora, confesse: você não me/o pegaria?

Que delícia ir para Nova York acompanhada de quem está conhecendo a cidade pela primeira vez e reconhecer-se no desejo do outro de apontar a câmera para qualquer lado que se olhe e fotografar compulsiva e emocionadamente, sabendo que as fotos não vão ficar boas, e não dando a mínima para isso. Das dúzias de fotos da cidade tiradas a esmo, escolhi postar essas da 5a Avenida vista do Central Park e, logo abaixo, essa outra do floco de neve da 57.

No nosso parquinho favorito. Escolhi esta dentre nossas várias fotos posadas no parque porque gostei do enquadramento dado pelas bandeirinhas.

Mais uma da série “vocês acham que eu estava feliz”: Maria Schneider e eu. Chutei o balde e tietei mesmo. Não dá para ficar cool e blasé ao lado dessa mulher.

A instantes de sermos embalados pela terceira de Beethoven no Lincoln Center, com caras de acabados. Observem a coleguinha de universidade ao meu lado, não me deixando esquecer que, no dia seguinte, eu voltaria à minha realidade de três trabalhos para escrever.

A praça em frente ao Lincoln Center é tão deslumbrantemente linda que a melhor coisa desta foto são os cones, dando um tom de normalidade à cena.

O resto das fotos (e há mais por vir) estão no facebook do Gabriel - caso queira vê-las e ainda não for amigo dele, peça amizade com jeitinho e malemolência que ele dá.

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Os melhores discos dos anos 2000: 1-50

Enquanto vou me adaptando à minha nova e temporária realidade paulistana, divirtam-se ou enfastiem-se com os campeões da minha listinha de discos preferidos dos anos 2000, com um asterisco ao lado dos dez mais. De resto, a lista está em ordem alfabética, que minha ânsia classificatória tem limites:

1. Alison Krauss & Union Station – Lonely Runs Both Ways (2004)

* 2. André Mehmari  – …de Árvores e Valsas (2008)

3. André Mehmari – Canto (2002)

4. Bill Frisell - Disfarmer (2009)

5. Björk - Vespertine (2001)

* 6. Brad Mehldau – Progression: Art of the Trio, vol. 5 (2001)

* 7. Brian Blade Fellowship – Perceptual (2000)

8. Brian Blade Fellowship - Season of Changes (2008)

9. Carla Bley – The Lost Chords Find Paolo Fresu (2007)

10. Charlie Haden Family & Friends – Rambling Boy (2008)

11. Chris Potter – 10 Songs For Anyone (2007)

12. Claudia Acuña – Luna (2005)

13. Claudia Acuña – Rhythm of Life (2002)

14. Dave Holland – Pass It On (2008)

15. David Binney – Third Occasion (2009)

16. Donald Fagen – Morph the Cat (2006)

* 17. E.S.T. – Seven Days of Falling (2003)

18. E.S.T. – Strange Place For Snow (2002)

* 19. Fred Hersch – Leaves of Grass (2005)

20. Guinga – Noturno Copacabana (2003)

21. Ivan Lins – Cantando Histórias (2007)

* 22. Ivan Lins & The Metropole Orchestra – A Gente Merece Ser Feliz (2009)

23. John Pattitucci – Songs, Stories & Spirituals (2003)

24. John Scofield – This Meets That (2007)

* 25. Joni Mitchell – Both Sides Now (2000)

26. Joni Mitchell – Travelogue (2003)

27. Joshua Redman – The Compass (2009)

28. Kate McGarry – The Target (2007)

29. Keith Jarrett – Whisper Not (2000)

30. Keith Jarrett – Yesterdays (2009)

31. Kenny Garrett – Beyond the Wall (2006)

32. Luciana Souza – Brazilian Duos (2000)

33. Maria Schneider – Allegresse (2000)

* 34. Maria Schneider – Concert in the Garden (2004)

35. Maria Schneider – Sky Blue (2007)

36. Michael Brecker - Pilgrimage (2007)

37. Michael Brecker – Wide Angles (2003)

38. Milton Nascimento & Belmondo – Milton Nascimento & Belmondo (2008)

39. Mônica Salmaso – Nem 1 Ai (2008)

40. Pat Metheny – One Quiet Night (2001)

* 41. Pat Metheny – Trio Live (2000)

* 42. Pat Metheny Group – The Way Up (2005)

43. Rigmor Gustafsson – I Will Wait For You (2003)

44. Sérgio & Odair Assad – Sérgio & Odair Assad play Piazzolla (2000)

45. Sergio Santos – Áfrico (2001)

46. Shawn Colvin – These Four Walls (2006)

47. Steely Dan – Two Against Nature (2000)

48. Terence Blanchard – A Tale of God’s Will: A Requiem for Katrina (2007)

49. Vince Mendoza – El Viento (2009)

50. Wayne Shorter - Alegría (2004)

Confira também os discos de 51-100.

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Problemas

Conhecem a da anoréxica e da obesa?

Conselho da anoréxica para a obesa: por que você não faz um regime duma vez e em poucos meses resolve o seu problema? Assim, fácil, é só seguir as recomendações de um nutricionista e fechou, resolveu: você come o que a dieta mandar, chega ao seu peso ideal e fica numa boa, tranquila, feliz com o seu corpo, pronta pra aproveitar a vida.

Conselho da obesa para a anoréxica: por que você não começa a comer duma vez e em poucos meses resolve o seu problema? Assim, fácil, é só seguir as recomendações de um nutricionista e fechou, resolveu: você come o que a dieta mandar, chega ao seu peso ideal e fica numa boa, tranquila, feliz com o seu corpo, pronta pra aproveitar a vida.

Os problemas dos outros são de simples resolução.

Os problemas dos outros são menos complexos e dramáticos que os meus.

Os problemas dos outros só não se resolvem porque os outros não querem resolvê-los.

Os problemas dos outros são mesquinhos e infantis.

Os problemas dos outros não são de verdade.

***

Conhecem a do deficiente físico sem um pé, uma mão, um rim e uma amígdala que venceu na vida?

Com todas as dificuldades, ele batalhou, estudou, trepou, se formou, casou, criou dois filhos, cuidou da mãe doente e ainda tocou clarinete numa faixa do CD promocional da ONG que ele ajudou a criar.

Ele sim tem problemas, você reclama de barriga cheia.

Enquanto ele está lá se superando diariamente, você não consegue nem botar a louça na máquina de lavar.

Enquanto ele sofreu tantas rejeições femininas, você ainda não esqueceu da Lili que te chamou de gordo na quarta série.

Ele é a estrela do arquivo licaodevida.pps, você não sabe criar uma apresentação no Power Point.

Os problemas dele são sérios e honrados, você deveria ter vergonha dos seus.

***

Problema: Criança, eu não conseguia mergulhar sem tapar o nariz com a mão, à la pregador, numa idade em que todo mundo já conseguia.

Solução: Dizer para os amiguinhos “eu não posso mergulhar sem tapar o nariz porque eu tenho problema respiratório.”

***

Problema: Uma amiga me diz “Cá, tenho um problema muito sério pra resolver e resolvê-lo é o que eu mais quero no mundo, mas está difícil.”

Solução: “Então resolve, porra!”

Solução: “O que eu posso fazer por você?”

Solução: Abraçar a amiga bem forte, na tentativa de fazê-la entender que quero estar ao seu lado, sempre.

Solução: “Isso só depende de você.”

***

Problema é encontrar o X da equação ou fazer alguma coisa com ele depois que se descobriu quanto X vale?

Pedrinho tinha cinco laranjas e deu duas para a irmã. Com quantas laranjas Pedrinho ficou?

O observador percebe que Pedrinho ficou com três laranjas. O problema acaba aí, ou problema mesmo é saber o que fazer com as laranjas restantes: chupá-las, vendê-las, descascá-las, esquecê-las, dá-las aos pobres, atirá-las no padre?

***

O grande problema dos problemas dos outros é quando eles passam a ser nossos também. Nesse momento mágico, eles deixam de ser mesquinhos ou honrados, infantis ou altivos. Eles passam a ser apenas os meus problemas - e o grande problema dos meus problemas é que eles eu posso resolver.

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Preparando-se para o casamento

Uma colega da universidade me contou hoje que vai se casar em breve. Meu coração bateu mais forte por ela: gosto muito dessa colega e de seu futuro marido, e acho mesmo que eles têm tudo para ser bem felizes juntos. Como toda boa mulher à beira do altar, ela decidiu, em preparação para o casamento…

Dou-lhe uma…

(Ela decidiu… Selecionar os convidados?)

Dou-lhe duas…

(Ela decidiu… Escolher o vestido?)

Dou-lhe três…

(Ela decidiu… Planejar a festa e a lua-de-mel?)

Dou-lhe quatrocentos e cinquenta e sete…

(Ela decidiu… Cortar o cabelo, maquilar-se e depilar-se?)

(Reparem que eu, solteiríssima, não vejo a hora de me atracar com um balde de cera quente assim que chegar ao Brasil…)

Dou-lhe um milhão e quaquocentos mil…

Como a gente pode ficar nesse jogo de adivinhação literalmente para sempre, melhor falar de uma vez:

Minha colega acadêmica, em preparação para o seu casamento, decidiu ler textos feministas que tratam do conceito burguês de matrimônio.

Nunca me senti tão submissa às hostes falocêntricas do patriarcado machista e objetificante.

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Os melhores discos dos anos 2000, parte 1: 51-100

Enquanto as fotos de NY não vêm, divirtam-se ou aborreçam-se com um daqueles posts que só consigo escrever quando tenho muita coisa para fazer e uma vontade maior ainda de procrastinar: está aí à vossa disposição a primeira parte da minha listinha dos melhores discos dos anos 2000. Coloquei só os que vão de 51 a 100 para dar alguma emoção à coisa - sim, eu quase chego a ouvir Osmar Santos narrando a escalação dos 50 discos e sim, pode me achar uma loser completa - e para dar tempo de ler e me divertir com os comentários daqueles que sempre comentam esses negó de música por aqui.

Estou com preguiça e portanto não vou escrever direito, mas acho importante pelo menos esboçar os enfadonhos disclaimers de praxe ao falar de uma lista ambiciosa, abrangente, subjetiva, arbitrária e, acima de tudo, irrelevante como essa:

a) Na semana que vem, serei uma pessoa diferente e terei ouvido coisas diferentes, portanto a lista sairia (adivinhem!) diferente desta.

b) Comentários do tipo que-absurdo-que-você-não-citou-o-disco-de-fulano não fazem o menor sentido, pois partem de uma premissa inexistente para chegar a uma conclusão inconcludente. (Vamos tentar de outra forma: tais comentários fazem tanto sentido quanto a frase anterior, isto é, nenhum.)

c) “Mas só tem jais nesta porra? E o cha-cha-cha? E a música de concerto? E o rock’n'roll? Você só ouve música esquisita mesmo?” Aí vai da sua concepção de esquisitice. Você pode achar esquisito música com acordes; já eu acho bastante esquisito alguém passar a vida toda ouvindo apenas o que o Faustão ou a Rádio Sucessos decidir tocar.

d) Alguns (poucos) discos listados eu sinceramente não acho lá grandes coisas, mas achei importante citá-los porque quem os gravou foram músicos(as) importantes, lindos, incríveis e fundamentais para esta década. Nestes poucos casos, portanto, meu gosto subjetivo deu lugar a uma arrogante, boba e divertidíssima pretensão de objetividade. Afinal, essa é uma das graças de elaborar uma lista pomposa dessas.

e) Se ninguém brincar comigo de comentar os discos escolhidos, elaborar listas próprias e tentar adivinhar quais serão os meus 50 primeiros, não vai ter a menor graça.

Sem mais frescuras, portanto, aí vai:

1. Alex Sipiagin - Equilibrium (2004)

2. Alicia Keys - Songs in A Minor (2001)

3. Amina Figarova - Come Escape With Me (2005)

4. Ana Luiza & Luís Filipe Gama - Linha D’Água (2006)

5. Anat Cohen - Noir (2007)

6. Avishai Cohen - Lyla (2003)

7. Carla Bley - Appearing Nightly (2008)

8. Cassandra Wilson - Glamoured (2003)

9. Charles Lloyd - Rabo de Nube (2008)

10. Charles Lloyd - The Water Is Wide (2000)

11. Dave Holland - What Goes Around (2002)

12. David Binney & Edward Simon - Océanos (2007)

13. Donny McCaslin - Declaration (2009)

14. Esperanza Spalding - Esperanza (2008)

15. Guinga - Casa de Villa (2007)

16. Ivan Lins - Saudade de Casa (2008)

17. Jaleel Shaw - Optimism (2008)

18. James Taylor - October Road (2002)

19. Jason Lindner - Live at the Jazz Gallery (2007)

20. Jim Hall & Bill Frisell - Hemispheres (2008)

21. Joe Lovano - Joyous Encounter (2005)

22. John Scofield - Works For Me (2001)

23. Joni Mitchell - Shine (2007)

24. Kendrick Scott Oracle - The Source (2006)

25. Komeda Project - Crazy Girl (2006)

26. Kurt Rosenwinkel - Deep Song (2005)

27. Lage Lund - Early Songs (2008)

28. Luciana Souza - The New Bossa Nova (2007)

29. Manu Katché - Neighbourhood (2006)

30. Marc Copland - New York Trio Recordings, vol. 1: Modinha (2006)

31. Marcus Strickland - Twi-Life (2006)

32. Marilyn Crispell - Amaryllis (2001)

33. Miguel Zenón - Awake (2008)

34. Oregon - Oregon in Moscow (2000)

35. Paul Motian - On Broadway, vol. 4 (2006)

36. Radiohead - Kid A (2000)

37. Rosa Passos - Morada do Samba (2000)

38. Rudresh Mahanthappa’s Indo-Pak Coalition - Apti (2009)

39. Seamus Blake - Way Out Willy (2007)

40. Steve Kuhn Trio - Pavane for a Dead Princess (2006)

41. Steve Swallow & Robert Creeley - So There (2006)

42. Sting - All This Time (2001)

43. Teresa Cristina - Canta Paulinho da Viola (2002)

44. Tomasz Stanko - Lontano (2006)

45. Tord Gustavsen - Being There (2007)

46. Vince Mendoza - Blauklang (2008)

47. Wafir - Nilo Azul (2002)

48. Wayne Shorter - Beyond the Sound Barrier (2005)

49. Wolfgang Muthspiel - Bright Side (2006)

50. Zé Miguel Wisnik - Pérolas Aos Poucos (2004)

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Mas e a Broadway, hein?

Mais uma vez, é chegado o momento de abrir o jornal mais relevante do mundo e entrar na minha crise preferida: decidir o que fazer à noite em Nova York! \o/

Reparem que estarei no meu lugar preferido do mundo, com o meu melhor amigo, vendo minha jazz orchestra preferida, assim, Gil Evans me perdoe, de todos os tempos. Quem tem saliva de babar que babe: Gabriel e eu veremos a Maria Schneider Orchestra estrear uma peça nova no Jazz Standard. Os contidos que me perdoem, mas não é nem que a euforia seja fundamental: a esta altura, ela é inevitável.

Além da Maria, o outro evento para o qual já compramos ingresso é um concerto da Filarmônica de Nova York no sábado à tarde, tocando Beethoven e Schoenberg. De resto, a verdade é que só a Maria já teria valido a viagem - mas, já que estamos lá, obviamente vamos aproveitar mais um pouquinho. Seguem os planos provisórios atuais:

Quarta - O Gabriel ainda não vai ter chegado e vou aproveitar pra ver a Maria Schneider logo no meu primeiro dia, porque se você achava mesmo que eu ia assistir a apenas um set dessa gig, é porque você ainda tem a ilusão de que sou uma pessoa normal. Depois, ou eu fico pro segundo set, pra eliminar de vez a dúvida dos frequentadores deste blog acerca da minha sanidade, ou vou para o Smalls, onde se apresentará um noneto quase totalmente desconhecido para mim. A graça está no quase: o baterista é o Bill Stewart, um dos meus top 5 pessoais (descubram quem ele é no blogroll aí do lado - estou com preguiça de ficar linkando nomes aqui que já estão linkados acolá). Tem também um saxofonista que não é um completo desconhecido, o John Ellis, que gravou num disco bem legalzinho do Charlie Hunter - posso até dizer que  o sax é a melhor coisa do disco. Em suma: o mais provável de tudo é que eu fique nos dois sets da Maria e depois pegue o late set desse noneto aí.

Quinta - Gabriel chega! Vamos ver The New York Voices no Birdland às oito e meia - eu nem morro de amores por eles, mas Gabriel adora e mesmo eu não amando acho que vai ser incrível. Mais incrível ainda é pensar que vou fazer essas coisas, que estou tão acostumada a fazer sozinha, com um cara (quase, vai) tão empolgado quanto eu. Depois, o plano é fazer o circuito Village - 55, Smalls e Fat Cat - pra ele jconhecer. Eu cheguei a mencionar que essa é a primeira vez dele em Nova York? Vamos ver como eu me saio: se tudo der errado na academia, quero crer que sempre terei uma carreira como guia turística-jazzística em Nova York.

Sexta - Maria Schneider de novo, desta vez com o Gabriel, no Jazz Standard às sete e meia (ouiés, beibés!). Depois, Hélio Alves - um pianista brasileiro radicado nos EUA - com Romero Lubambo às dez da noite num lugar a que nunca fui, chamado Kitano - vai ver é um hotel. Eu queria mesmo era ver esse cara no dia seguinte, quando ele vai tocar com o David Binney, meu altoísta preferido. Esse cara, em verdade vos digo, periga emplacar dois discos na minha listinha do final do ano: ele é um compositor excelente e este ano parece ter investido mais no lirismo do que na complexidade harmônica (ou quem sabe eu é que me acostumei com a complexidade e não a estranho mais) - o resultado é que ele nunca fez nada tão lindo quanto In The Paint e Third Occasion. Ele eu vou até deixar a preguiça de lado e linkar aqui, porque o site é bem completo e merece a visita: David Binney, fariseus. Cliquem. Eu só não acho tão ruim deixar de vê-lo porque a graça está em ouvir o trabalho dele, não me interessa tanto saber o que ele vai fazer com a música alheia. Quer dizer, interessar sempre interessa, mas é mais importante a gente ir no dia em que estará o Romero pro Gabriel fazer um social. :-)

Sábado - às duas da tarde, a filarmônica de NY; à noite, Marcus Gilmore com Will Vinson e Ben Street no Jazz Gallery. Isso sim eu faço bastante questão de ver; na verdade, é a única coisa que realmente quero ver além da Maria. Porque esse Will Vinson é outro altoísta muito bom, que lançou um disco impressionante no ano passado (acho que é apenas o segundo dele). E eu gosto muito da formação saxofone-baixo-bateria - é sempre uma experiência reveladora ver o que é que nego faz sem o conforto dos acordes de uma guitarra ou de um piano.

Saindo do Jazz Gallery, sei lá - ou a gente fica ali no Village ou vai ver um dos dois tiozinhos que estarão na cidade este dia. Essa possibilidade é bastante remota porque nem eu nem Gabriel somos tão apaixonados por eles assim e, como eles já tiveram tempo suficiente para virar mainstream - e, ademais, perigam morrer a qualquer instante -, os ingressos estão bem caros (mesmo motivo pelo qual nem sequer cogitamos ver o Dave Brubeck: 60 dólares, simpatia? Faz-nos rir). Os dois tiozinhos em questão (aliás, verdade seja dita: tiazinha sou eu. Eles são avozinhos) são Jimmy Scott, aquele das cordas vocais danificadas que tem o timbre de uma criança e era o cantor preferido da Bille Holiday (sorry Tato, eu sei que você não perderia isso por nada) e Ramsey Lewis, um pianista meio popzinho cheio de firulas que é uma graça. Outro motivo pra gente desencanar deles logo de cara é que o Gabriel quer dar uma canja em algum lugar, e com eles é que não vai ser. Ou seja: além de tudo o que a gente está querendo ver, ainda temos que bolar a estreia nova-iorquina do cara. :-)

Durante o dia, além de andar pela cidade toda o máxmio que a gente conseguir, tem uma exposição do Kandinsky no Guggenheim que queremos ver. Também espero que dê tempo de passar no MoMA para ver uns Rothkos, que estou com saudade deles.

***

Mais uma vez, portanto, estarei sujeita ao comentário de praxe na volta da viagem: mas e a Broadway, hein? Você não foi?

E eu digo: não. E me dizem: mas como não? E eu digo: não deu tempo. E me dizem: mas como não?

Eu desisto.

Ganha um beijo quem oferecer boas sugestões de como encaminhar essa tradicional conversa de volta de viagem da maneira mais satisfatória e menos frustrante possível para ambas as partes.

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De Sancho Panza a Caetano Veloso, con cariño

Dijo Sancho a su amo:

- Señor, ya yo tengo relucida a mi mujer a que me deje ir con vuestra merced adonde quisiere llevarme.

- Reducida has de decir, Sancho - dijo don Quijote -, que no relucida.

- Una o dos veces - respondió Sancho - si mal no me acuerdo, he suplicado a vuestra merced que no me emiende los vocablos, si es que entiende lo que quiero decir en ellos, y que cuando no los entienda, diga “Sancho, o diablo, no te entiendo”, y si yo no me declarare, entonces podrá emendarme, que yo soy tan fócil…

- No te entiendo, Sancho - dijo luego don Quijote -, pues no sé qué quiere decir soy tan fócil.

- Tan fócil quiere decir - respondió Sancho - “soy tan así“.

- Menos te entiendo agora - replicó don Quijote.

- Pues si no me puede entender - respondió Sancho -, no sé cómo o diga: no sé más, y Dios sea conmigo.

- Ya, ya caigo - respondió don Quijote - en ello: tú quieres decir que eres tan dócil, blando y mañero, que tomarás lo que yo te dijere y pasarás por lo que te enseñare.

- Apostaré yo - dijo Sancho - que desde el emprincipio me caló y me entendió, sino que quiso turbarme, por oírme decir otras docientas patochadas.

- Poderá ser - replicó don Quijote.

(O engenhoso cavaleiro D. Quixote de La Mancha, Segundo Livro, pp. 111-112.)

Como vimos, não apenas Sancho dá uma aula de linguística a don Quijote, dizendo da inutilidade de corrigir algo que foi bem compreendido, como ainda o pega no pulo, percebendo em suas correções o mero intuito de ridicularizá-lo.

Vale dizer também que a pouca erudição de Sancho não o impediu de ser um excelente governador da ilha de Barataria.

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